O que é ?

O termo estenose significa “estreitamento”. A Estenose Aórtica é a dificuldade da válvula aórtica em abrir durante a fase de ejeção do sangue para o corpo. Essa válvula é a responsável por conectar a saída do coração com a maior artéria do coração: a artéria Aorta. Esse estreitamento acontece geralmente ou por depósito de cálcio (espessamento) na válvula aórtica, ou por um defeito congênito da válvula (ex: ela pode ter 2 cúspides ao invés de ter 3 – normal) -chamado de válvula aórtica biscúspide- ou então por acometimento Reumático.

Essa doença é comum ?

Sim! Trata-se da valvopatia mais comum em idosos, podendo atingir até 10% dos pacientes com idade entre 80-90 anos. Com o passar da idade a prevalência vai aumentando. Mas, se pacientes jovens tiverem estenose aórtica, provavelmente ela é causada por doença reumática ou por valva aórtica bicúspide – defeito congênito.

Quais os fatores de risco para o desenvolvimento da doença por calcificação ?

Para listar alguns: tabagismo, diabetes mellitus, insuficiência renal, colesterol alto no sangue, sexo masculino, idade, cálcio elevado no sangue, síndrome metabólica, entre outros.

Quais os sintomas ?

Geralmente, essa doença é assintomática por 10-20 anos. Mas, com o passar do tempo e o envelhecimento, esse estreitamento vai ficando importante, tornando mais difícil a passagem natural de fluxo anterógrado de sangue, de forma a demandar mais força do coração para bombear sangue para os órgãos, e também causando um fluxo retrógrado – para o pulmão. Nesse momento, então, o paciente passa a apresentar sintomas como: desmaios, falta de ar, e dor no peito (coração faz muita “força” para vencer essa resistência ou o paciente tem doença coronariana associada). Nessa fase da doença, o paciente deve procurar atendimento urgentemente, pois a sobrevida a partir do início dos sintomas, em média, é de 2-5 anos.

Qual o tratamento ?

Prescrever medicamentos para tratar a Estenose Aórtica é insuficiente! Sendo assim, o tratamento dessa valvopatia é o implante de uma nova prótese valvar, seja por via percutânea (TAVI) ou por cirurgia cardíaca. Opa! Então quer dizer que “podemos escapar” da cirurgia ? Sim! a TAVI é o implante transcateter da valva aórtica. Em alguns países do mundo, ele já supera a cirurgia de troca valvar em números de procedimentos, pois mostrou-se seguro e até mais eficaz que a cirurgia, em alguns estudos. O Brasil, inclusive, já possui expertise na realização da TAVI. A boa notícia, também, é que em fevereiro/2021, a TAVI foi incluída no rol de procedimentos da ANS, gerando mais reconhecimento e acessibilidade a este procedimento para os brasileiros.

A decisão do momento certo, qual procedimento realizar, e a necessidade da intervenção de troca valvar deve ser indicada pelo seu cardiologista de confiança, que avaliará a gravidade da doença e quais os sintomas que o paciente apresenta.

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Texto escrito pelo Cardiologista: Dr. Pedro Henrique Pedruzzi Segato

CRM 37.112 – RQE 28231